CIRCULAR ECONOMY
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O mundo está apenas 6,9% circular — o que isso significa para sua empresa

A economia global ultrapassou 100 bilhões de toneladas de extração anual e já rompeu 6 dos 9 limites planetários. O Circularity Gap Report 2025 traz os números completos — e o que eles significam para sua operação.

O mundo está apenas 6,9% circular — o que isso significa para sua empresa

Um número deveria estar na mesa de qualquer conselho de administração discutindo estratégia de longo prazo: 6,9%. É a proporção de materiais que a economia global reutiliza, segundo o Circularity Gap Report 2025, produzido pela Circle Economy em parceria com a Deloitte — a mais completa base de dados de circularidade do mundo, cobrindo mais de 90 países, 350 cidades e 1.000 empresas.

Isso significa que mais de 93% dos materiais que movem a economia mundial são extraídos, usados e descartados sem retornar ao ciclo produtivo — e os números por trás dessa estatística são mais alarmantes, e mais acionáveis, do que o percentual isolado sugere.

A escala real do problema: 100 bilhões de toneladas por ano

A extração global de materiais mais que triplicou nos últimos cinquenta anos, e a economia mundial acabou de ultrapassar um marco histórico: 100 bilhões de toneladas de extração de material por ano. O crescimento populacional explica apenas parte disso — o consumo per capita saltou de 8,4 toneladas em 1970 para 12,2 toneladas em 2020, impulsionado por urbanização e crescimento do PIB, não apenas por mais pessoas no planeta.

Esse ritmo não está desacelerando. Projeções apontam que a extração de materiais deve crescer mais 60% até 2060, em comparação com a linha de base de 2020 — trajetória que o relatório descreve como incompatível com qualquer cenário de estabilidade climática ou ecológica.

Seis de nove limites planetários já ultrapassados

O contexto que torna esses números urgentes, não apenas preocupantes: já ultrapassamos seis dos nove limites planetários vitais para a vida no planeta, segundo dados de 2023 citados no relatório. O uso e extração de materiais é responsável por cerca de dois terços das emissões globais de gases de efeito estufa e por mais de 90% da perda total de biodiversidade e do estresse hídrico mundial.

A capa do relatório usa uma metáfora visual direta: um deserto avançando sobre uma floresta exuberante — a trajetória atual de sobreuso de recursos e degradação ambiental ameaçando apagar o que resta de verde e vital no planeta.

Por que a métrica de circularidade caiu, não subiu

Um dado que contraria a narrativa otimista comum sobre reciclagem: o uso de material secundário de fato aumentou — de 7,1 bilhões de toneladas em 2018 para 7,3 bilhões de toneladas em 2021. Mas a Métrica de Circularidade global caiu no mesmo período, de 7,2% para 6,9%.

A razão é estrutural, não um fracasso de reciclagem: o crescimento absoluto na extração de material virgem superou os ganhos em reciclagem. Estamos reciclando mais em termos absolutos — mas consumindo material virgem ainda mais rápido, o que reduz a proporção relativa de circularidade no sistema como um todo.

O que compõe os 93,1% que ainda vazam do sistema

O relatório detalha exatamente onde os materiais estão sendo perdidos, através de 11 indicadores principais e 23 sub-indicadores. Alguns números específicos que merecem atenção de qualquer empresa avaliando sua própria cadeia:

Materiais Virgens Não Renováveis destinados a descarte sem recuperação representam 18,1% dos insumos materiais globais — quase um quinto de tudo que entra na economia mundial poderia, tecnicamente, ser reciclado, mas atualmente não é. Se recuperássemos todo esse desperdício sem reduzir o uso geral de material, a Métrica de Circularidade global saltaria para aproximadamente 25% — quase quadruplicando o índice atual.

Adições Líquidas ao Estoque (construção, infraestrutura, veículos, equipamentos) representam 38% de todos os materiais que entram na economia global — a maior categoria isolada, refletindo a urbanização acelerada, especialmente em países de renda média e baixa.

Combustíveis fósseis representam 13,3% dos materiais que fluem para a economia, sendo o principal motor do colapso climático: o uso de energia foi responsável por 73% das emissões globais de gases de efeito estufa em 2021 — com subsídios explícitos a combustíveis fósseis estimados em impressionantes US$ 1,4 trilhão em 2021.

O dado regional que todo executivo latino-americano deveria conhecer

Um achado específico e pouco divulgado do relatório: ao medir emissões como proporção dos "Outputs Processados" — os materiais que saem da economia como emissões ou resíduo físico — a América Latina apresenta apenas 32%, comparado a 65% na América do Norte, 61% na Europa e 53% na Ásia e Oceania.

Isso não é necessariamente boa notícia disfarçada de má — reflete uma estrutura econômica regional diferente, com menor intensidade industrial-energética em alguns setores. Mas também significa que a região tem uma janela estratégica: sua matriz de emissões relativa é estruturalmente distinta dos países industrializados, o que muda o cálculo de onde estão as maiores oportunidades de intervenção circular — provavelmente menos em descarbonização de processos industriais pesados e mais em construção civil, gestão de resíduos urbanos e cadeias agrícolas.

Por que essa lacuna é a oportunidade, não apenas o problema

A lacuna de circularidade de 93,1% não é apenas um risco ambiental — é, na linguagem mais direta possível, valor não capturado. Como o próprio relatório enquadra: em um momento de tensões geopolíticas crescentes, competição por recursos e volatilidade econômica, a economia circular está "moldando acordos de livre comércio e fortalecendo a cooperação para o desenvolvimento" — não é mais uma iniciativa de nicho, é infraestrutura econômica emergente.

O Circularity Gap Report 2023 (edição anterior da mesma série) já havia calculado algo concreto: seria possível reverter a ultrapassagem dos limites planetários usando apenas 70% dos materiais que consumimos hoje — reduzindo o consumo médio para cerca de 8,5 toneladas per capita, aproximadamente equivalente ao peso de dois elefantes adultos, e próximo aos níveis registrados nos anos 1970.

O que isso significa para empresas latino-americanas

Para uma empresa que opera na América Latina, essa lacuna de 93,1% se traduz em perguntas concretas e mensuráveis:

Cadeia de suprimentos: quanto do material que você compra é virgem versus reciclado? Dado que Materiais Virgens Não Renováveis representam 18,1% dos insumos globais com potencial de recuperação não realizado, essa é uma área de oportunidade quantificável, não apenas aspiracional.

Construção e infraestrutura: com Adições Líquidas ao Estoque representando 38% dos materiais globais — a maior categoria — empresas do setor de construção e infraestrutura têm a maior alavancagem per-decisão para impacto circular.

Modelo de receita: existe uma oportunidade de capturar valor adicional através de modelos de negócio circulares — recompra, remanufatura, produto-como-serviço — que sua empresa ainda não está explorando?

Da métrica global à ação local

A pergunta que toda organização deveria fazer não é apenas "somos sustentáveis?", mas especificamente: "qual porcentagem dos materiais que usamos retorna ao ciclo produtivo — e como isso se compara à média de 6,9% que o relatório documenta globalmente?"

Essa é uma métrica que pode ser calculada, acompanhada trimestralmente, e vinculada a metas de redução de custo e risco — exatamente o tipo de dado financeiramente relevante que investidores institucionais estão exigindo cada vez mais.

Como a Sustek.co aplica isso na prática

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O primeiro passo é saber exatamente onde sua operação está deixando valor circular na mesa — usando os mesmos 11 indicadores principais que o Circularity Gap Report aplica globalmente, mas ao nível da sua operação específica.

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Uma vez identificada a lacuna, o próximo passo é redesenhar ativamente cadeias de valor lineares em circulares — com tecnologia 4IR aplicada para rastrear materiais e eliminar resíduos.

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Perguntas frequentes

O que exatamente mede o Circularity Gap Report? Mede a porcentagem de materiais que entram na economia global provenientes de fontes recicladas ou reutilizadas, versus materiais virgens extraídos pela primeira vez — através de 11 indicadores principais e 23 sub-indicadores cobrindo tanto o lado de entrada quanto de saída do sistema material global.

Por que a circularidade caiu nos últimos anos em vez de aumentar, se o uso de material reciclado está subindo? O uso de material secundário de fato cresceu (de 7,1 para 7,3 bilhões de toneladas entre 2018 e 2021), mas a extração de material virgem cresceu ainda mais rápido — reduzindo a proporção relativa de circularidade mesmo com mais reciclagem em termos absolutos.

Por que a América Latina mostra menor participação de emissões nos outputs processados comparada a regiões industrializadas? Isso reflete uma estrutura econômica regional com menor intensidade industrial-energética em determinados setores comparada à América do Norte (65%) ou Europa (61%) — não necessariamente um indicador direto de melhor desempenho circular geral, mas um sinal de que as maiores oportunidades de intervenção circular na região podem estar concentradas em setores diferentes dos que dominam a discussão em economias industrializadas.


Fontes: Circle Economy & Deloitte, "The Circularity Gap Report 2025: A Global Call to Action" (2025); Sustek.co Sustainability Transformation Tiers (sustek.co/services).


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